Título: O Complexo dos Assassinos
Autor: Lindsay Cummings
Editora: Saída de Emergência
Classificação: 4 Estrelas
Fiquei a conhecer este livro por causa da polémica em torno da capa e da "colagem" aos Jogos da Fome. E apesar desta semelhança gráfica, um pouco de pé-atrás, resolvi ler a sinopse e não é que chamou a atenção. Depois disso, li algumas opiniões positivas e outras menos positivas, mas fiquei sempre interessada na leitura deste livro. E resolvi lê-lo assim que me chegou às mãos pela parceria que tenho com a editora Saída de Emergência.
Este é um daqueles exemplos em que não se deve julgar o livro pela capa. Foi uma agradável surpresa.
O Complexo dos Assassinos é o primeiro volume de uma série (ainda não percebi bem quantos volumes tem ou terá) e é uma distopia YA e com uma pitada de FC.
Os nossos protagonistas (e narradores) são Meadow e Zephyr, dois adolescentes que têm papéis diferentes dentro da sociedade (Perímetro), que é controlada pela Iniciativa. Dentro desta sociedade existem várias classes, que são controladas pela Iniciativa, que surgiu após um desenvolvimento científico, a Cura. Esta Cura originou que a população deixasse de morrer por doença e afectou de forma dramática as outras espécies e fez surgir o Complexo dos Assassinos. Achei esta sociedade relativamente bem estruturada, apesar de ter gostado de ter um bocadinho mais de informação quer sobre a Queda, a Iniciativa, o próprio Complexo dos Assassinos e dos pais de Meadow . No entanto, sendo este um primeiro volume, acredito que teremos acesso a mais informação no(s) próximo(s) livro(s).
Quanto ao enredo, temos alguns mistérios que vão sendo desvendados, mas acima de tudo um bom ritmo de acção. Além disso, estamos perante uma história sangrenta, com muitas mortes, onde as personagens têm que fugir dos perigos e lutar pela vida. Além de termos uma história com bastante ritmo, temos também capítulos muito curtos, o que me fez ficar completamente "colada" ao livro.
No entanto, para mim, nem tudo foi positivo. E porquê? Por causa do par romântico. Além de ter achado que o romance acontece de forma pouco natural, não percebo a necessidade de um par romântico, pelo menos neste primeiro volume. Para mim, a história teria sido ainda melhor se Meadow e Zephyr fossem apenas aliados. Mas pronto, eu sou daquelas pessoas que não simpatiza muito com romances românticos lamechas e mimimi.
Outro aspecto menos bem conseguido, foi não haver distinção na escrita entre os personagens (obrigada Sofia por me relembrares =) ). Apesar de termos dois narradores diferentes, Meadow e Zephyr, não senti diferenças na "voz" deles e muitas vezes me senti perdida na narração dos capítulos. Julgo que teria funcionado melhor um narrador na terceira pessoa e não a perspectiva dos dois narradores, tão idênticos que confundiam o leitor.
Talvez por não ter grandes expectativas, gostei bastante do livro. Achei bastante interessante a abordagem que a autora usou para criar esta nova sociedade, abordando questões de avanços médicos e dos "nascimentos" in-vitro, tornando esta história uma distopia com alguns contornos de FC.
Tentem ignorar o impacto da capa, não criem expectativas nem façam comparações com Os Jogos da Fome (que quanto a mim a única semelhança é serem distopias YA) e dêem uma oportunidade ao livro.