sexta-feira, 23 de junho de 2017

O Grande Manuscrito: Zoran Živković


O Grande Manuscrito (Dejan Lukić #2)

Título: O Grande Manuscrito (Dejan Lukić #2)
Autor: Zoran Živković
Editora: Cavalo de Ferro
Classificação: 3 Estrelas

Ficha do Goodreads aqui


Depois de ter lido Biblioteca e de ter ficado completamente encantada com a escrita do escritor, resolvi trazer o outro livro que existia na minha biblioteca.
O nosso protagonista é Dejan Lukic, um inspector da polícia mas um reconhecido amante de livros e é destacado para um caso de uma reputada escritora, que está prestes a terminar o meu novo livro policial, que subitamente desaparece do seu apartamento, deixando-o fechado à chave pelo lado de dentro.
Antes de avançar, tenho que referir que este é o segundo livro de uma duologia de "Dejan Lukić", cujo primeiro volume é "O Último Livro". O que significa que já "troquei" a ordem de leitura (mas, felizmente, o primeiro livro existe numa outra biblioteca da rede), e foram várias as referências a acontecimentos passados. É certo que o autor faz pequenas contextualizações desses acontecimentos mas, tendo em conta, o tipo de história não fo muito fácil seguir todas as questões.
Foi uma boa leitura, muito à conta da escrita mas confesso que me senti algo perdida na história, talvez porque não tivesse à espera de uma história algo surreal. O autor criou uma história de crime e mistério, em que os livros têm um papel muito preponderante, e onde são vários os acontecimentos estranhos.
É uma história bem misteriosa, com livros e escritores, marcada por um tom surreal, com realidades que se misturam.
Apesar de não ter gostado tanto de O Grande Manuscrito como de Biblioteca, vou querer ler mais do autor, nomeadamente O Último Livro.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Nem Todas As Baleias Voam: Afonso Cruz


Nem Todas As Baleias Voam
Título: Nem Todas As Baleias Voam
Autor: Afonso Cruz
Editora: Companhia das Letras
Classificação: 3 Estrelas

Ficha do Goodreads aqui

Pegando no projecto americano Jazz Ambassadors, que pretendi mostrar que os EUA não eram racistas e passar mensagens através da música Jazz, Afonso Cruz criou uma história de um grande amor, com toques de policiais/thriller.
Erik Gould é um músico Jazz, super apaixonado pela sua mulher Natasha e que é observado pela CIA, pois julgam que é a pessoa indicada para fazer parte do projecto Jazz Ambassadors.
Tal além de Erik, conhecemos Tristan, filho do casal, um rapaz que vive com a morte de perto e consegue visualizar todas as emoções. E reencontramos ainda Isaac Dresner, um dos personagens de "A Boneca de Kokoschka".
É sempre uma tarefa difícil escrever a minha opinião sobre um livro de Afonso Cruz, pois sinto que me repito, além de que são sempre histórias mais peculiares.
Primeiro que tudo, gostaria de salientar que o projecto Jazz Ambassadors foi mesmo, um projecto real por parte dos EUA. Confesso que desconhecia tal projecto.
Quanto ao próprio livro/história, gostei da parte thriller/policial, onde temos acesso aos relatórios sobre Erik Gould, e aos capítulos focados no Escritor. No entanto, a outra parte da história centrada em Erik, Tristan e Dresner, não me conseguiu prender o suficiente, apesar de ter gostado muito da ideia da caixa de sapatos.
Sim, a escrita de Afonso de Cruz é belíssima, e encontramos neste livro, várias passagens bonitas. Mas, não consegui sentir ligação e emoção com a história e as próprias personagens. (Algo que também já me tinha acontecido com o livro Flores)
Não sei se o terei lido na altura errada mas não me conquistou como esperava.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O Prodígio: Emma Donoghue

O Prodígio
Título: O Prodígio
Autor: Emma Donoghue
Editora: Porto Editora
Classificação: 4,5 Estrelas

Ficha do Goodreads aqui

Este foi daqueles livros que chamou a minha atenção pela capa lindíssima e a sinopse serviu para aguçar ainda mais a minha curiosidade. E foi uma excelente leitura e ainda por cima, acompanhada a par e passo, pela Dora do Books & Movies (link para a opinião da Dora aqui)

Na Irlanda, no meado do século XIX, Anna, uma jovem de 11 anos, está a 4 meses sem comer mas que sobrevive sem sinais de debilitação física, e é por isso, considerada pelos populares, como a criança milagre. É formado um comité para avaliar se Anna está de algum modo a comer as escondidas ou se é, efectivamente, um milagre. E é nestas condições, que Lib, uma jovem enfermeira inglesa é contratada, a par com uma freira, para durante 2 semanas vigiarem permanentemente Anna.

Começo por referir a estrutura do livro, que se encontra dividido em cinco partes/capítulos, o que poderá dificultar um pouco um avanço voraz na leitura. Também o ritmo lento e descritivo da narrativa poderão ser também um factor que prejudique alguns leitores. Mas, para mim, foi uma grande leitura. Fiquei de tal modo colada à história de Anna e Lib, tão absorvida pelo ambiente que me foi muito mas muito difícil pousar o livro.
Digo-vos mais, mesmo com capítulos longos e um ritmo lento, li (ou será melhor dizer, devorei) o livro em menos de 24 horas.

Adorei o ambiente tenso e misterioso, quase que fantasmagórico do livro. Adorei o período retratado, meados do século XIX, numa Irlanda a tentar recuperar do grave e longo período Da Grande Fome, com a população a precisar de acreditar em algo bom e positivo.
Achei que a autora fez uma boa contextualização histórica e religiosa da Irlanda, e nos conseguiu transmitir alguns factos históricos, de forma bastante harmoniosa e nada maçuda, na acção.

Outro ponto que me agradou foi o foco na questão religiosa. De um lado temos o povo irlandês, muito católico; e do outro, temos Lib, uma céptica, inglesa e protestante, não praticante. E muitos são os diálogos presentes no livro, onde é abordado o tema da religião, e apesar de me causar estranheza tanto fervor religioso, achei-os muito interessantes e onde se nota claramente o fanatismo religioso de algumas pessoas.
Tenho também de referir as questões médicas. Neste período, a profissão de enfermeira, através de Florence Nightingale, ainda está a dar os primeiros passos e Lib sente na pele os preconceitos, quer por ser mulher, enfermeira e, ainda para complicar, protestante e sem fé. A autora teve o cuidado de retratar na perfeição todo esse preconceito e sexismo.
E não posso também deixar de referir um aspecto, que confere à história ainda mais realismo e um ambiente mais macabro. As fotografias que eram tiradas aos mortos, retratando-os como vivos. Por acaso, tinha conhecimento deste hábito mórbido mas foi muito interessante ver este facto referido num livro de ficção.

O único aspecto que não funcionou tão bem comigo para ser um "livro à minha medida", foram as personagens. Não estou com isto a dizer que não gostei das personagens. Gostei. E acho que estão muito bem construídas e reais, principalmente Lib. Mas não consegui sentir ligação com as personagens, não senti as suas dúvidas e questões como minhas.

Por todos estes motivos, fiquei agarrada à história logo desde o início e a longo de todo o livro, fui tecendo as minhas suspeitas e teorias sobre o porquê da atitude de Anna, já que todo o ambiente misterioso e tenso, é bem propício a deixarmos a nossa mente vaguear por teorias.
E mesmo tendo várias teorias (minhas), posso-vos garantir que fui completamente surpreendida.


Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora, em troca de uma opinião honesta.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Book Haul FLL 2017

E porque a Feira do Livro de Lisboa terminou ontem e fui 5 (sim, leram bem, 5) vezes, deixo-vos o vídeo de book haul, que partilhei ontem no canal.



Acho que fiz boas comprinhas ;)

segunda-feira, 19 de junho de 2017

A Hora Solene: Nuno Nepomuceno

A Hora Solene  (Freelancer, #3)
Título: A Hora Solene (Freelancer #3)
Autor: Nuno Nepomuceno
Editora: Top Books
Classificação: 4,5 Estrelas

Ficha do Goodreads aqui

Desde que tinha terminado o segundo volume - A Espia do Oriente - que estava muito curiosa para saber como o Nuno Nepomuceno iria concluir a história de André. Por outro lado, tinha alguma pena de me despedir de André, Anna e até do Kimi, daí ter esperado um pouquinho para o ler. Mas, lá está, a curiosidade era muita, pois o final de A Espia do Oriente deixa-nos muito mas muito ansiosos.
Mais uma vez, nota-se uma evolução na escrita do Nuno, muito cuidada e acessível, e um bom ritmo, quer de acção mas principalmente de suspense. O Nuno conseguiu criar uma história bem equilibrada, com mistério, suspense, acção mas também com um toque de romance. Outro ponto forte é a descrição dos locais e dos acontecimentos, tão vividas, mas sem serem maçudas, e que tornam toda a leitura muito visual.
Gostei muito do modo como o Nuno nos deixa na expectativa, durante um ou dois capítulos, com acontecimentos marcantes, como acontece logo no início do livro, onde ficamos logo muito ansiosos.
Em termos de personagens, e apesar de simpatizar muito com o André, a minha preferida é Anna, e devo dizer que senti um pouco falta do protagonismo que encontrei em A Espia do Oriente. Sim, a acção vai "saltitando" entre André, Anna e até Elena, mas achei Anna algo mais "apagada" (mas lá está, talvez seja impressão minha, por ser precisamente a minha personagem preferida). Uma outra personagem que gosto e que gostaria de ter tido mais protagonismo, é Anssi, pois acredito que tenha muitos conflitos interiores.

Uma excelente trilogia de espionagem, muito bem escrita e, ainda por cima, de um autor português. Um autor que é um querido e simpatiquíssimo para todos os seus leitores, com um carinho muito especial pelos bloggers.
Por isso, se ainda não leram a Trilogia Freelancer do Nuno Nepomuceno, do que é que vocês estão à espera? Leiam pois acredito que não se irão arrepender, pois foram três livros que me proporcionaram horas de leituras muito prazeirosas, com personagens que me irão acompanhar.


Nota: Este livro foi-me disponibilizado pelo autor, em troca de uma opinião honesta.


Podem ler também as minhas opiniões dos restantes livros do Nuno:
O Espião Português (Freelancer #1)
A Espia do Oriente (Freelancer #2)
A Célula Adormecida