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segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

[Opinião] A Minha Adorável Esposa de Samantha Downing

A Minha Adorável Esposa
Título: A Minha Adorável Esposa
Autor: Samantha Downing
Editora: Suma de Letras
Classificação: 4 Estrelas

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Podem comprar o livro na WOOK ou na BERTRAND




Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora, em troca de uma opinião honesta.

sexta-feira, 21 de maio de 2021

[Opinião] A incrível história de António Salazar de Marco Ferrari

 

A incrível história de António Salazar, o ditador que morreu duas vezes
Título: A incrível história de António Salazar, o ditador que morreu duas vezes
Autor: Marco Ferrari
Editora: Objectiva
Classificação: 5 Estrelas

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Não costumo ler muita não-ficção mas há temas que acho que são importantes e que os devemos ler, para recordarmos e não voltarmos a cair nos mesmos erros. E foi um dos motivos pelo qual fiquei muito curiosa com este livro.
Além de importantíssimo, este é um livro riquíssimo e cheia de informações bem pertinentes.
Vou começar por explicar um pouco o título, "que morreu duas vezes". O autor refere-se à queda da cadeira, que em 1968, lhe provocou um hematoma intracraniano e do qual, apesar de ter sido operado, nunca recuperou, sendo até referido no livro como "morto-vivo". E, a segunda vez, a sua verdadeira morte, já em 1970.
O autor fez um fantástico trabalho de investigação. Aborda também o período instável que foi a nossa Primeira República, de modo a contextualizar-nos melhor a "estabilidade" do governo de Salazar. E, depois, claro, aborda todos os temas fulcrais e pertinentes da ditadura.
Não podemos cair na ilusão. Temos que perceber que Salazar tornou Portugal num país ainda mais atrasado, rurais, fechado ao exterior, muito à custa das condições da classe mais pobre. E tudo isto num clima de repressão constante, torturas, perseguições, prisões, mortes. A PIDE, a Guerra Colonial, Tarrafal, Prisão de Caxias, o autor não nos poupa nas descrições e, é impossível ficarmos indiferentes a tudo o que fez feito, neste nosso "cantinho" e num passado recente.
Um livro importantíssimo e que deverá ser lido por toda a gente para que não voltarmos a acreditar em ilusões de "associações de homens de boa vontade".



Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora, em troca de uma opinião honesta.

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

[Opinião] 1794 de Niklas Natt och Dag

 

1794 (Bellman noir-trilogin #2)
Título: 1794 (Bellman noir-trilogin #2)
Autor: Niklas Natt och Dag
Editora: Suma de Letras
Classificação: 5 Estrelas


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Depois de recentemente ter lido 1793 (opinião aqui) fiquei ainda mais curiosa por ler o segundo livro desta trilogia.
Tal como o título indica, estamos em 1794 e onde voltamos a reencontrar, em Estocolmo, Mickel Cardell e Anna Stina Knapp, que conhecemos em 1793. A narrativa inicia-se com a história de vida do jovem de uma família abastada, Erik Drei Rossen, que por causa de um amor que não é aceite pelo pai, é forçado a partir até a uma ilha das Antilhas. Aí encontramos uma realidade muito mais dura e desumana, já que a ilha vive do tráfico de escravos. E, acreditem, o autor dá-nos um relato bastante cru das condições. Voltamos então à Suécia e onde, tal como a sinopse refere, uma jovem é brutalmente assassina na sua noite de núpcias. E, após várias tentativa, a mãe da jovem acaba por contactar Cardell para que investigue o crime, e este, apesar de não poder contar com Cecil, acaba por conhecer o irmão deste, Emil, e pedir-lhe que seja seu assistente.
Tendo já lido 1793, já ia preparada para a estrutura do livro, onde nos é contada, pelas diversas partes, quase como histórias independentes, que se acabam por cruzar. E, por isso, foi mais fácil perceber as ligações existentes.
Foi, mais uma vez, uma leitura muito gráfica, pois autor não nos poupa em detalhes. Temos pobreza, problemas de álcool, sujidade, maldade humana, tudo nisso sempre num clima mais tenso, que me deixou sempre na expectativa de descobrir o que ia acontecer. E que mexe com as nossas emoções, causando revolta e agonia.
Também as personagens são um ponto forte do livro. São profundas, têm camadas e tornam-se bastante reais, já que conseguimos sofrer com elas. 
E o final? Incrível! E que me deixou tão mas tão ansiosa sobre o futuro de algumas personagens. 
Se já tinha feito uma grande leitura com 1793, este conseguiu, para mim, ser ainda melhor. Talvez por já conhecer a abordagem da estrutura do autor, por perceber alguma ligação das personagens, a verdade, é que este livro agarrou-me de tal forma que não conseguiu parar de ler.

Livro lido para o projecto #septemberthrills

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora, em troca de uma opinião honesta.

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

[Opinião] O Anjo de Munique de Fabiano Massimi

 

O Anjo de Munique
Título: O Anjo de Munique
Autor: Fabiano Massimi
Editora: Suma de Letras
Classificação: 5 Estrelas


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Este foi um livro que me deixou muito curiosa com a sinopse mas também por ter visto opiniões muito positivas e começo desde já por dizer que livro incrível!
Estamos em Munique, Setembro de 1931, e o comissário Sauer é chamado de urgência a um apartamento, onde Angela Raubal de 2 anos, conhecida como Geli, foi encontrada morta e que tudo indica que terá sido suicídio. Mas Geli não é uma jovem qualquer, é sobrinha de Adolf Hitler e mora no mesmo apartamento.
O autor deixou-me logo, nas primeiras páginas, agarrada ao livro e foi, até ao fim, uma história mesmo viciante e daquelas que não damos por o tempo passar e só queremos ler até ao final. Eu sei que sou uma leitora muito voraz mas a verdade é que comecei o livro na 5ª feira à noite, continuei na 6ª de manhã antes do trabalho e, apesar de ter tido um dia cansativo com imenso trabalho, estive sempre a pensar na história e como estava ansiosa para poder pegar novamente nele. E, quando tal aconteceu, não descansei enquanto não o terminei.
A escrita é muito fluída, gráfica e muito visual, permitindo-nos visualizar, na perfeição, todas as cenas na nossa cabeça. É, por isso, um livro muito cinematográfico. O autor inspirou-se em factos verídicos, da morte da sobrinha de Hitler que, confesso, desconhecia, e criou toda uma trama, magistralmente tecida e viciante. Incrível as revelações e o desfecho, e que estão tão bem retratados que nos parecem suficientemente sólidos para serem verdade, já que, infelizmente, as notas sobre esta morte, desapareceram misteriosamente e não foi provado o assassinato de Geli. E foi muito útil ter a nota final do autor no fim que nos revela os factos reais da história, por mais difícil nos seja acreditar.
Adorei também a relação entre Sauer e o seu colega Mutti, e como lidam com os "maus". E que também nos dá mais informações sobre Hitler e o partido, que também não tinha conhecimento.
Um fantástico thriller histórico e uma das melhores leituras do ano!

Livro lido para o projecto #septemberthrills

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora, em troca de uma opinião honesta.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

[Opinião] O Enigma do Quarto 622 de Joël Dicker


O Enigma do Quarto 622

Título: O Enigma do Quarto 622
Autor: Joël Dicker
Editora: Alfaguara
Classificação: 5 Estrelas

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Numa manhã de Dezembro, no quarto 622 do Palácio Verbier é encontrado um cadáver. Esta morte ocorre durante o período da festa anual de um prestigiado banco suíço, nas vésperas da nomeação do novo presidente. A investigação policial não consegue descobrir o culpado e o caso acaba por cair no esquecimento.
Quinze anos depois, o próprio escritor Joël Dicker vai passar umas férias, para fazer o luto do seu editor e recuperar de um desgosto amoroso e hospeda-se neste hotel. Joël Dicker acaba por conhecer uma outra hóspede, Scarlett, que está no quarto ao seu lado, que está assinalado como "621 bis", e decidem investigar.
Assim sendo, vamos acompanhado a história através da escrita e investigação do Joël Dicker dentro do próprio livro. Eu sei, parece um pouco estranho mas depois de nos habituarmos, ficamos rendidos. E vamos tendo um livro dentro do livro.
A narrativa vai alternando entre três tempos distintos: a actualidade com Joël Dicker; 15 anos antes, a noite da morte; e 15 anos antes da morte. Confesso que teria preferido que tivessem a indicação do anos e não "15 anos antes" pois, uma ou outra vez fiquei um bocadinho baralhada se estava na parte da altura da morte, ou nos 15 anos antes da morte (e por isso, cerca de 30 anos antes da actualidade), no entanto não foi nada que me retirasse o prazer da leitura.
A história é altamente viciante e foi tão mas tão difícil largar o livro. Para mim, Joël Dicker fez um brilhante trabalho a montar o puzzle da história.
Primeiro deixa-nos em suspense, durante mais de metade da história, para desvendar quem morreu.  E bolas, não imaginam a minha curiosidade e as minhas "teorias". E depois, tentar perceber que era o culpado? Quanta ansiedade eheheh E nada, não acertei em nada eheheh
O autor criou uma fabuloso puzzle policial e onde as peças vão encaixando a pouco e pouco e com várias reviravoltas. E quando pensamos que já percebemos o rumo da história, eis que Joël Dicker, uma vez mais, nos apanha surpreende.
Uma trama complexa que com os vários saltos temporais quase nos deixam "frustados", no sentido de não estamos a conseguir descobrir o morto e o culpado, mas a verdade é que, para mim, tudo funcionou na perfeição.
E o final? Simplesmente inesperado e surpreendente! Fabuloso!

Dos três livros que li (O Livro dos Baltimore - opinião aqui -  e A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert - opinião aqui), este foi, sem dúvida, o meu preferido).


Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora, em troca de uma opinião honesta.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

[Opinião] O Pintor de Almas de Ildefonso Falcones



O Pintor de Almas

Título: O Pintor de Almas
Autor: Ildefonso Falcones
Editora: Suma de Letras
Classificação: 4 Estrelas

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Já sabem que adoro romances históricos e tendo eu já feito uma grande leitura com a Catedral do Mar (opinião aqui), estava mesmo muito curiosa com este novo livro de Ildefonso Falcones.

A narrativa decorre em Barcelona no início do século XX, e onde encontramos uma cidade em transformação, quer pela parte arquitectónica, com a construção de edifícios modernistas, mas também política e social.
Dalmau Sala, é um jovem pintor que vive entre dois mundos. A sua família e Emma, a jovem que ama, são fortes defensores dos direitos dos trabalhadores. Mas com o seu trabalho na oficina de cerâmica, pertencente a Dom Manuel Bello, fica mais próximo da classe burguesa e católica.
A narrativa é fortemente marcada pela luta de direitos dos trabalhadores por melhores condições e salários. Mas também o papel das mulheres na sociedade e na luta pela igualdade de direitos. Acompanhamos de bem perto, estas reivindicações dos direitos das classes mais baixas. E o papel/poder da Igreja.
No entanto senti que foi algo explorado em demasia. Compreendo que Barcelona se viu, durante vários anos, a braços com manifestações e greves da classe operária mas, algumas vezes, senti que era demasiado para a narrativa e poderia ter sido mais "encurtado".
As descrições de Ildefonso Falcones são absolutamente fantásticas e conseguimos perfeitamente visualizar tudo e entender todas as questões presentes. Conseguimos sentir a pobreza da população, mas também quase que sentimos os cheiros da cidade, tal é a intensidade da escrita do autor. Sentimos, cheiramos, sofremos, como se fossemos nós próprios a viver a história.
Mas para além de todas as questões políticas e sociais, temos também um grande detalhe à arte e arquitectura, num período marcado pelo modernismo. E, neste lado mais burguês da vida, temos também a facilidade de tentações e vícios.
Gostei bastante das personagens, estão bem caracterizadas e bastante reais, com os seus ideais, medos e sonhos. E claro, Emma foi a minha preferida, uma mulher forte e determinada e que luta incansavelmente pelos direitos dos trabalhadores.
Apesar de ter achado que a história se alongou um pouco, a verdade é que uma história tão rica e cheia de contrastes sociais, que me proporcionou uma grande leitura.

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora, em troca de uma opinião honesta.