segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Dezanove Minutos: Jodi Picoult


Dezanove Minutos
Título: Dezanove Minutos
Autor: Jodi Picoult
Editora: Civilização Editora
Classificação: 5 Estrelas

Ficha do Goodreads aqui

Este é um daqueles exemplos em que não se deve julgar o livro pela capa. Neste livro, Jodi Picoult aborda temas sensíveis da sociedade: jovens que sofrem de bullying e um tiroteio num liceu.
Peter Houghton é um jovem de 17 anos e que desde que desde o primeiro dia de escola que sofre de bullying e tinha apenas como amiga Josie Cormier. Mas há uns anos, Josie afastou-se de Peter e tornou-se parte do grupo "dos populares", aqueles que insultam e agridem Peter.

Apesar das minhas altas expectativas, o livro não me desiludiu.
Adorei a forma como a autora nos vai contando a história, alternando entre passado e presente, contando-nos quer sobre o tiroteio mas principalmente sobre as cenas de humilhação e de violência.
Não consegui ficar indiferentes aos abusos que Peter sofre. Tanta maldade, tanta violência, tanta humilhação. É certo que a forma como Peter põe o "ponto final" nos abusos, não é a correcta mas, a verdade, é que ele sofreu tantos abusos durante tantos anos e foi fácil sentir pena dele e compreender, até certo ponto, a sua atitude. Peter é um jovem diferente dos outros, franzino e mais sensível e que se sente incompreendido por toda a gente, e sente-se sozinho, sem apoio e ajuda de ninguém.
Josie, a amiga de infância de Peter e a jovem que se tentou adaptar ao grupo dos populares, tem um papel importante na trama. Uma personagem tão bem caracterizada e que percebemos que se esconde debaixo de uma "capa protectora".
A autora explora também o modo como a vida dos pais de Peter, Lacy e Lewis, é abalada. Quer por se virem privados do filho, mas também pelo seu sentimento de "culpa" e impotência, não só por eles próprios mas pela sociedade.

Não sou daquelas leitoras que marca citações mas, ao ler este livro, fiquei com vontade de marcar tantas passagens mas que, muito provavelmente, irá acontecer numa releitura.
Deixo-vos uma das que me marcou e que é um provérbio chinês:
"Quando iniciares uma viagem de vingança, começa por cavar duas sepulturas: uma para o teu inimigo, e outra para ti próprio."

Uma história tão importante e que deve ser lida por todos nós: jovens, pais, a sociedade em geral. Porque, muito sinceramente, não sei bem onde vamos parar com tanta violência, nem com a forma como os jovens de hoje "acham normal" os actos de bullying e violência.

8 comentários:

  1. Olá Tita,

    Este livro foi, para mim, um verdadeiro murro nos estômago. Eu chorei pelo Peter. O meu coração apertou-se com a estratégia que a Josie teve de construir para "sobreviver" a um mundo que ela sentia não lhe pertencer.
    É um livro duro, mas muito realista.
    As nossas crianças e jovens não são nada empáticos. Não se conseguem colocar no lugar dos outros. Apesar de a adolescência ser marcada por características de egocentrismo, acho que estamos a entrar num estado limite assustador.
    Já trabalhei com crianças em verdadeiro sofrimento por aquilo que viviam na escola. Uma das meninas chegou-me a dizer que a escola era uma espécie de selva: ou comes ou és comido.
    Apesar de ter consciência que os jovens que sofrem de agressões precisam de ajuda, aqueles que agridem também precisam. Se não houver intervenção agora, em que tipo de adultos se irão tornar?
    Sim, este livro deveria ser lido por muitos pais, profissionais que trabalham diariamente com crianças.
    Tal como tu, marquei imensas citações. É um livro muito duro, mas muito, muito bem construído.
    Beijinhos

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    1. Olá Silvana,
      É mesmo como dizes, é um livro duro mas muito realista! E sim, também me preocupa e assusta muito, o caminho que as crianças e jovens estão a tomar e em que adultos se irão tornar.
      Concordo totalmente contigo, tem que se intervir o mais cedo possível.
      Deve ter sido muito duro trabalhar com crianças que sofrem com o que se passa na escola. Acho que é preciso ter "estômago" para não irmos abaixo com os que nos contam e acredito que te deva ter custado muito.
      Sim, deve ser lido por toda a gente!
      Beijinhos

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    2. Não é um trabalho muito fácil. A auto-estima das vítimas está em frangalhos, e é moroso o processo de os fazer ganhar asas e conseguir voar sobre aquilo que eles intitulam de selva. Mas também te digo que, depois de os colocares a voar é maravilhoso. Uma das minhas últimas crianças, tornou-se uma borboleta forte, ao ponto de ter enfrentado doze miúdas que estavam a intimidar outra.
      Beijinhos

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    3. Acredito, Silvana. Deve ser bem complicado mas depois veres os resultados, deve ser muito gratificante. Uau, que magnifico resultado =)
      Beijinhos

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  2. Olá Tita,

    Adorei bastante este livro. Após a leitura fiquei dias a remoer o conteúdo. É forte, impactante, triste, mas belo. Belo porque Jodi com sua mestria conseguiu contar uma história que não se conta. É um livro de muitas emoções. Um livro necessário.

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    1. Olá Túlio,
      Concordo com tudo! E sim, é um livro que deveria ser lido por todos!

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  3. Olá Tita,
    Acabei de ler um livro da Jodi Picoult e adorei também!
    A autora sabe trabalhar bem os temas e cativar a atenção do leitor.
    Quero ler este livro também.
    Beijinhos e boas leituras

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    1. Olá Isa,
      Do que tenho lido, a autora pega em temas fortes e trabalha muito bem a história. Aos poucos, quero ir lendo mais da Jodi Picoult.
      Já sabes, quando quiseres ler, diz ;)
      Beijinhos

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