domingo, 4 de julho de 2010

D. Amélia - Isabel Stilwell


Uma rainha não foge, não vira costas ao seu destino, ao seu país. D. Amélia de Orleães e Bragança era uma mulher marcada pela tragédia quando embarcou, em Outubro de 1910, na Ericeira rumo ao exílio. Essa palavra maldita que tinha marcado a sua família e a sua infância. O povo acolheu-a com vivas, anos antes, quando chegou a Lisboa. Admirou a sua beleza, comentou como era alta e ficou encantado com o casamento de amor a que assistiu na Igreja de São Domingos. A princesa sentia-se uma mulher feliz. Mas cedo começou a sentir o peso da tragédia. O povo que a aclamou agora criticava os seus gestos, mesmo quando eram em prol dos mais desfavorecidos. O marido, aos poucos, afastava-se do seu coração, descobriu-lhe traições e fraquezas e nem o amor dos seus dois filhos conseguiu mitigar a dor. Nos dias mais tristes passava os dedos pelo colar de pérolas que D. Carlos lhe oferecera, 671 pérolas, cada uma símbolo dos momentos felizes que teimava em não esquecer. Isabel Stilwell, autora "best-seller" de romances históricos, traz-nos a história da última rainha de Portugal. D. Amélia viveu durante 24 anos num país que amou como seu, apesar de nele ter deixado enterrados uma filha prematura que morreu à nascença, o seu primogénito D. Luís Filipe, herdeiro do trono, e o marido D. Carlos, assassinados ao pleno Terreiro do Paço a tiro de carabina e pistola. De nada lhe valeu o ramo de rosas que tinha na mão e com o qual tentou afastar o assassino. Outras mortes a perseguiriam... D. Amélia regressou em 1945 a convite de António de Oliveira Salazar com quem mantinha correspondência e por quem tinha uma declarada admiração. Morreu seis anos depois em França, seu país natal, na cama que Columbano havia pintado para ela. Na cabeceira estavam desenhadas as armas dos Bragança.
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Para além de ser fã de Fantástico, gosto também muito de Romance Histórico, e apesar de Isabel Stilwell já ter mais dois livros publicados, nunca tinha lido nada da autora. Mas quando vi o "D. Amélia" houve qualquer coisa que me chamou e me fez querer comprar o livro e lê-lo quanto antes.

Podemos dividir o livro em duas partes principais e uma terceira parte mais pequena.
Na primeira parte, acompanhamos Amélia, filha mais velha do Conde de Paris e herdeiro ao trono Francês desde a sua infância até ao seu casamento com D. Carlos. Aqui é-nos mostrado como há uma grande união entre a família Orleães, mas apesar de toda esta ligação familiar, Amélia foi educada de uma forma rígida e fria, sem sentir grande proximidade à sua mãe.
Na segunda parte, Amélia é-nos apresentada como uma mulher e mãe, que tenta zelar pelos interesses dos seus filhos e de Portugal, e que tem ideias bem definidas, e que D. Carlos deveria ter tido mais em consideração. Acompanhamos o sofrimento de D. Amélia por tudo o que viveu, tudo o que tentou fazer por um país que apesar não ser o seu, amava, todas as obras de caridade em que tentava com que os menos afortunados tivessem melhores condições.
Entre a segunda e terceira parte temos um lag de tempo, entre o seu exílio de Portugal após a Implantação da República, em 1910, e 1945, em que Salazar convida D. Amélia a regressar a Portugal.

Gostei muito da escrita, em que a autora não se perde em detalhes e descrições, mas foca-se no essencial da história, com capítulos curtinhos e todos datados cronologicamente e com indicação do local onde decorre a cena. Outro ponto positivo foi a autora ter aproveitado o facto de D. Amélia gostar de escrever e incluir cartas e partes do diário que D. Amélia escrevia, apesar de parte delas serem ficcionadas.

Foi uma óptima experiência, portanto os outros dois livros de Isabel Stilwell - "Filipa de Lencastre" e "Catarina de Bragança" - vão para a minha wishlist

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